O projeto multidisciplinar “Mestras do saber”, visa documentar o encontro de mulheres e mestras atuantes no campo artístico das manifestações populares brasileiras através dos tambores. Destinado à comunidade acadêmica e toda a sociedade, esta proposta pretende resgatar e valorizar o potente legado musical feminino, frequentemente invisibilizado por sistemas patriarcais repressores.

As “Mestras do saber” são as compositoras, cantoras, batuqueiras e percussionistas, principalmente originárias de culturas indígenas ou da afro-diáspora que desde sua infância assimilam conhecimentos organicamente em diferentes áreas, assumindo um papel de formadoras em suas comunidades através dos fortes vínculos de seu aprendizado com o tambor.

Uma exposição vídeo-fotográfica interativa revelará o percurso feito pela equipe para a montagem deste projeto, como uma cartografia, que resultará numa apresentação final onde música, dança, performance, audiovisual, workshops e rodas de conversa se imbricarão através dos tambores.

A primeira edição do projeto coloca o foco na Bahia destacando a mestra “Mônica Millet”. Neta de Mãe Menininha do Gantois, Mônica é uma percussionista e compositora de grande referência na Bahia, na música brasileira, com projeção internacional. Precursora de importantes movimentos musicais, ela imprime sua criatividade de forma ímpar através de seus atabaques – reconhecidos como uma das principais escolas dos tambores no Brasil – sendo uma das poucas mulheres a ter profundo acesso à linguagem destes instrumentos.

A falta de apoio à representatividade dessas mestras põe em risco a continuidade deste movimento e é justamente isso que o projeto “Mestras do Saber” pretende combater ao trazer a maestra, história e obra desta e, futuramente, de outras mestras ao grande público.

O projeto “Mestras do saber” é um movimento baiano, construído em espírito de coletividade, que acredita que num mundo fragmentado e plural, o tambor possa trazer um lugar de ancestralidade e resistência ligado ao prazer, alegria e reencantamento do mundo. Sonha-se que este projeto se inicie em um núcleo apoiado pela UFBA, para investigar e produzir ações interligadas à cultura popular brasileira, protagonizadas pelo feminino.

Realizadores (as):

Proponente:

– Mônica Freire – Cantora, compositora, música, brincante e graduanda no BI em Artes (UFBA);

Demais participantes:

– Illa Benício – Cantora, compositora, percussionista e graduada em Direito (UCSAL);

– Dandara Baldez – Mestranda em dança (UFBA) / cantora, compositora, Mestra maranhense e brincante;

– Alexandra Pessoa – Percussionista graduada na UFBA/ Cantora e compositora;

– Paôla Fonseca Kianda – Percussionista e graduanda em dança UFBA;

– Josy Garcia – Arte-educadora, música, ativista e produtora cultural;

– Cau Gonçalves – Graduanda em Políticas e Gestão das Culturas da UFBA, batuqueira, cantora e produtora cultural;

– Jorgelina Oliva – Percussionista formada pela Funceb e pesquisadora da música africana Malinke, atuante nas Filhas de Gandhy;

– Issa La Croix – Pós-graduada em Comunicação Estratégica (Ibmec), líder coach pelo IBC e Graduada em Design (Puc – Rio);

– Nina La Croix – Graduada em Cinema (PUC – Rio);

– Taylla de Paula – Fotógrafa graduada em Jornalismo (UFBA);

– Flávia Gaudêncio – Mestre em Artes Cênicas (UFBA);

– Jancleide Goes – Doutoranda em Literatura e Cultura (UFBA);

– Fernanda Rodrigues – Graduanda BI em Artes (UFBA);

– Ive Cunha – Mestre em filosofia (PUC – RJ), com especialização em gestão econômica-financeira (FDC-MG) e Graduada em Jornalismo (PUC – RJ);

* a maioria das musicistas aqui citadas são pesquisadoras da cultura popular afro-
brasileira e de matriz africana.

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